quarta-feira, 7 de maio de 2008

Atrás das grades da brutalidade

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Eu não sou a mãe da Isabella Nardoni. Não conheço a família do Ives Otta, tampouco sou íntima do pai da Liana Friedenbach. Não faço idéia da dor que essas pessoas sentem. Mas a violência, em menor ou maior intensidade, é algo que afeta a todos nós, sem muitas exceções.
Diariamente, boa parte da população da cidade de São Paulo, segue uma rotina. E eu não estou falando de pegar o carro, ir trabalhar, etc. Eu falo de: antes de sair de casa, rezar ou pelo menos fazer uma fézinha para que tudo corra bem no seu dia. Hora de ir, e sem saber se voltará. Nunca esquecer de trancar bem os enormes portões, a cadeados. Se vai sair de carro, janelas sempre fechadas e com vidros mais escuros possíveis. E, de preferência, guiando o carro com muito policiamento; a violência no trânsito também é muito³ assustadora. Se vai de ônibus, é segurar bem a bolsa junto ao corpo, e encarar o vuco-vuco. Na volta, mesma situação, um pouco piorada se já é noite. Olhar para todos os lados, desconfiar de tudo e até gastar um pouquinho mais com transporte, só para não correr tanto risco é mais do que comum, é essencial. Paranóia? Talvez. Somos todos reféns do medo, estamos aprisionados de qualquer jeito.
Não é realmente uma maneira muito saudável de se viver, pois se perde muito quando se deixa o medo se sobrepor às suas vontades e à coisas que trazem felicidade. Eu quero poder andar na rua a noite sem me preocupar, quero andar pelo meu bairro com a minha melhor roupa, sem ter que esconder meu celular, quero poder dizer que, onde eu moro, todo mundo se respeita; eu também quero ser livre. Mas não dá pra arriscar perder a vida, ou a de seus entes queridos também, só por um desejo mimado. Aqui, a gente chama isso de irresponsabilidade.
E os menos irresponsáveis já começaram a perceber que a violência é contagiosa. Não adianta uma vírgula só ficar em casa, sentado no sofá, olhando a vida pela sua janela de redinha, reclamando da brutalidade e agressividade características das pessoas. É preciso fazer algo mais concreto, e com isso, eu nem digo fazer passeatas e abaixo-assinados. Eu digo sim, que a paz parte de dentro de cada um de nós. Uma gentileza aqui, outra ali, faz muito bem e também contagia. Pra que ficar chorando a morte de crianças na tv, se você grita com seus amigos, com seus empregados, consome uma droga ou outra, bebe demais, ou simplesmente, não ajuda o próximo?
A revolução deve começar dentro de nós mesmos, para que a violência deixe de ser uma constante nas nossas mentes e nossas vidas, passe a figurar apenas em nossas distantes lembranças. Eu não acredito em mundo perfeito, mas um mundo melhor que este, já seria muito. E isso, desculpem o clichê, depende de nós. Porque, antes de lutar, eu não vou desistir de um dia poder andar livre e sem medo por aí e de poder dizer que aqui, todo mundo se respeita.
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12 comentários:

Amanda disse...

Pra mim, pior que a violência, é que as pessoas se aproveitam dela para ganhar algo financeiramente. No dia da representação do crime de Isabela, a imprensa não disse (Globo, propriamente dita) que pessoas alugaram a varanda para as empresas de televisão&afins por 10.000 reais só para acompanhar o teatro! Sem contar com as pessoas que aproveitam as pessoas que ficam na frente do prédio onde os Nardoni estão e vendem camisetas com foto de Isabela... Temos que analizar os dois lados! E sem contar também com as outras coisas que foram "esquecidas" pela mídia graças a esse caso! Beijos!

natália ;$ disse...

cara, estava discutindo isso com minha mãe ontem. á alguns meses atrás, teve o caso do joão hélio. tudo que você via na tevê era sobre ele e 'o país inteiro encontra-se desconsolado e chocado com o acontecimento'. agora ninguém lembra mais dele. a mesma coisa vai acontecer com a isabella. e todo mundo só vê isso. e quanto as familias que morrem de fome? ou então nos morros, nas favelas? ninguém sequer fala deles ;~

Bárbara disse...

Ooi,desculpa a demora,*_*
Bem seu texto,ficou incrível.Sabe moro em Goiânia que nem se compara a São Paulo,mais não tá tão fácil não.Já fui assaltada aqui também.
Sei lá hoje em dia,todo lugar é perigoso.
Claro que a primeira atitude tem que partir de nós mesmas,mas falta uma boa ajuda dos políticos também né?
Ladrões principalmente são pessoas como nós,que muitas vezes roubam para comer.
Beijo e até mais ;*

A n i n h a a disse...

ahh essa história de violência e perigo e neurose e seguraabolsaesaicorrendo não dá.
seria tão bom andar sossegada, sentindo a brisa no rosto, olhando o céu azul, sem se preocupar com nada.

Realidade, por que existes?

beiijos querida

Patrícia Andréa disse...

é, hj em dia ainda prevalece aquela velha política:
"faça oq eu digo, mas não faça oq eu faço..."

http://blogdapattyandrea.blogspot.com

, 3llen ! disse...

só respondendo seu comentário:

Bah,aqui também tá frio >_< E isso é realmente bom,o calor do Rio de Janeiro deve ser pior do que o de Corumbá [?] :'D

- acredite! corumbá é sim, muito quente! aí tem praia, brisa... aqui é planície com o solo infestado de minérioo! arrre

Ai,eu não consegui terminar de ler aquela parte do livro :S

- eu já até esqueci de q livro era!
0_0

Pois é,eu tô me acostumando já,é que eu sou meio Peter Pan com relação a isso :}

Bgs bgs :*

Bjinhos!

depois volto pra dar uma geral
tá linkada!

Rαfαεℓℓα disse...

Obrigada por linkar!

Quanto a esse negócio de violência, acho que todos nós estamos sujeitos a isso. Não importa se é criança, adulto, jovem, etc.

O medo, de certa forma, ajuda a gente a se prevenir da violência, pois é um alerta do nosso corpo sobre algo que é novo ou perigoso.

Beijo! Tem surpresa pra vc no meu blog! ;*

raai. disse...

a minha cidade já foi menos pior, e como sempre decidem se espelhar nos piores agora é tudo como são paulo aqui :~

por isso as vezes prefiro viver no meu mundo irreal e levar quem eu amo pra viver junto comigo

gosteei daqui, linkei oks?
:D
;*

, 3llen ! disse...

frasezinha:

paz não é ausência de guerra, é equilíbrio interior em meio a problemas!

:D

ameei o texto!

Nataliinha disse...

A pior violencia é a contra si mesmo ...
Cansei de ficar me privando das coisas so pq tem gnt q não tem educação e fica se apropriando de coisas indevidas !

Bjsssss =)

Thais disse...

texto perfeito!
é isso mesmo, temos que fazer alguma coisa, e começar por nós mesmos.
ser gentil com as pessoas, ajudar, já é um bom começo.

beijos e boa sorte :*

Mary West disse...

Pura verdade em todas as plavras q formam este seu texto realistico e sincero. O mundo está mesmo de ponta cabeça, falta noção nas pessoas e vontade de mudar.